A Estrada de Ferro de Carajás, em Parauapebas, foi desobstruída na última quinta-feira, por volta das 11h30, por uma equipe do Sistema Integrado de Segurança Pública composta por homens das Polícias Militar, Civil e Federal. A estrada havia sido bloqueada por manifestantes do Movimento Sem Terra (MST). Duas pessoas foram autuadas em flagrante por crime de desobediência. A ação da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Segup) foi uma resposta à Vale, que culpa o Estado e a União pelas constantes manifestações dos trabalhadores.
Desafiando a Justiça, as lide-ranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), cumprindo suas ameaças e invadiram novamente a Estrada de Ferro Carajás (EFC). A nova invasão, a nona em 13 meses, aconteceu às 7h25 da últma quinta-feira e foi feita por cerca de 500 pessoas, em sua maioria integrantes do MST, num trecho do município de Parauapebas (PA).
Os invasores, liderados pelo MST, fizeram de novo um dos maquinistas da empresa refém. A vítima foi Raimundo de Souza Nepomuceno, de 43 anos, que teve sua vida ameaçada por manifestantes que portavam porretes e facões. Os invasores também ameaçaram incendiar a locomotiva caso o maquinista não abrisse as portas da composição. O empregado cedeu, abriu as portas e foi retirado à força da locomotiva e, depois, libertado.
Desta vez, os líderes do MST foram ainda mais longe. Numa demonstração de que não medem esforços para pôr em prática seus planos criminosos, seqüestraram um ônibus de uma empresa prestadora de serviços para a Vale. O veículo foi interceptado por manifestantes que ameaçaram e forçaram o desembarque de 35 passageiros. O ônibus permaneceu, ilegalmente, por algum tempo em poder dos integrantes do MST.
Em nova divulgada à imprensa, a Vale manifestou sua indignação pela insuficiência de ação das autoridades competentes que foram, há muito tempo e amplamente, avisadas que esta invasão iria acontecer. “É inadmissível que os governantes não tenham tomado a tempo as providências necessárias para evitar que, mais uma vez, o MST e seus cúmplices afrontassem o Estado de Direito e não cumprissem as determinações judiciais de não promover invasões”, diz a assessoria da Vale.
A empresa ressalta que não vai se calar diante das ameaças do MST ou da falta de responsabilidade de governantes, em especial no Estado do Pará, que se omitem diante de um crime há muito anunciado e que, por incompetência ou por conivência, estão assistindo a esta maré de crimes que nos últimos dias vem aterrorizando o Brasil.
“Há muito tempo, a Vale vem alertando essas autoridades de que este clima de desrespeito ao Estado de Direito cria um péssimo ambiente para a atração de investimentos para o nosso país, em especial para o Pará, região que apresenta um dos maiores potenciais de crescimento e geração de renda e emprego. O Conselho de Administração da Vale já aprovou um plano de investimentos que, entre 2008 e 2012, deve levar para a região cerca de US$ 20 bilhões e gerar mais de 35 mil novos empregos”.
Em outro trecho da nota, a Vale reafirma que não vai poupar esforços para proteger seus empregados, usuários do trem de passageiros, clientes e acionistas, já que a EFC é um importante veículo de transporte e desenvolvimento para o país. Segundo a Vale, com a invasão, cerca de 1.300 pessoas deixam de poder viajar entre os estados do Pará e Maranhão. Além disso, fica comprometido o transporte de combustíveis para os municípios do sudeste do Pará.
Finalizando, informa que não vai se deixar intimidar por um grupo que insiste em não respeitar a Justiça, e confia que as Polícias Federal, Militar e Civil do Estado do Pará vão agir com firmeza para restabelecer o Estado de Direito
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